Recorde no segmento: carros eletrificados já alcançam 21% de participação no Brasil

De janeiro a julho de 2026, 271.091 eletrificados foram vendidos no Brasil, representando uma alta de 195% na comparação com o ano passado

O mercado brasileiro de veículos eletrificados atingiu um novo patamar em 2026. Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), 271.091 unidades foram vendidas entre janeiro e julho, volume que já supera em 21% as 223.896 unidades comercializadas durante todo o ano de 2025. O avanço também aparece na participação desses modelos nas vendas de veículos leves, que chegou a 21% em julho, maior índice mensal já registrado pela entidade.

Somente no sétimo mês do ano, foram 56.074 eletrificados emplacados, alta de 18% sobre junho e de expressivos 195% na comparação com julho de 2025, quando foram vendidas 15.525 unidades. Na prática, os eletrificados passaram a representar mais de um em cada cinco veículos leves comercializados no país.

O resultado confirma uma trajetória de crescimento que ganhou força ao longo dos últimos 12 meses. Em julho de 2025, os eletrificados respondiam por 8,3% das vendas de veículos leves. A participação chegou a 12,7% em dezembro e iniciou 2026 em 14,6%, avançando gradualmente até atingir 18,3% em junho e os atuais 21% calculados em julho.

Para a ABVE, o desempenho mostra que a eletrificação deixou de ocupar uma posição restrita a um nicho do mercado brasileiro. A expansão da oferta, especialmente de veículos elétricos e híbridos plug-in, vem acompanhada pelo crescimento da infraestrutura de recarga e pela chegada de novas fabricantes.

Elétricos e híbridos plug-in puxam crescimento

Os modelos que permitem recarga externa foram responsáveis por 83% das vendas de eletrificados em julho. Foram 46.282 unidades, sendo 25.782 veículos 100% elétricos (BEV) e 20.500 híbridos plug-in (PHEV).

Os elétricos foram o principal destaque do sétimo mês, com crescimento de 22% sobre junho e de 268% em relação a julho de 2025. Em um ano, o volume passou de 7.010 para 25.782 unidades. Já os PHEV cresceram 12,6% no mês e 137% na comparação anual.

Os híbridos convencionais também avançaram, embora em ritmo diferente. HEV e HEV Flex somaram 9.792 unidades em julho, 18,9% acima do resultado de junho. Entre eles, os híbridos flexíveis tiveram o maior salto: foram 5.624 emplacamentos, alta de 50,9% no mês e de 448% em 12 meses.

A evolução ocorre em paralelo ao aumento da oferta, já que 350 modelos de carros eletrificados estavam disponíveis no Brasil entre janeiro e julho, 19% acima dos 294 registrados no mesmo período de 2025. O consumidor, portanto, encontra uma variedade maior de tecnologias e modelos justamente em um momento de expansão da infraestrutura.

O Brasil já contava com pelo menos 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga em maio, segundo dados da ABVE/Tupi Mobilidade. O número representa crescimento de 20,7% em três meses, ante os 21.060 pontos contabilizados em fevereiro, e alcança 1.788 municípios. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar a maior presença dos eletrificados mesmo com a elevação do imposto de importação, que chegou ao teto de 35% ao fim do escalonamento iniciado em 2024.

Mercado ganha novas marcas e mira mais de 450 mil unidades

A expansão também é acompanhada pelo aumento da presença de fabricantes chinesas no país. BYD, GWM, Omoda e Geely estão entre as marcas que avançam com investimentos em produção local, movimento que tende a ampliar a oferta e a estrutura de pós-venda no mercado brasileiro.

A percepção de mudança no comportamento do consumidor também aparece na avaliação de executivos que acompanham diretamente as vendas. William Mendes, gerente da BYD Servopa, revenda da marca chinesa em Curitiba (PR), relaciona a procura não apenas à tecnologia, mas também à sustentabilidade. “A tecnologia é um fator óbvio e que gera procura por automóveis que estejam na vanguarda da inovação. Mas os automóveis eletrificados vão muito além disso. São carros que incorporam o cuidado com o planeta através da sustentabilidade”, afirma.

O ritmo atual também fez a ABVE revisar para cima suas projeções. A entidade trabalhava inicialmente com cerca de 280 mil eletrificados vendidos em 2026, estimativa que depois passou para 300 mil e agora deve superar 400 mil unidades. Mantida a média mensal de 38.728 emplacamentos observada até aqui, o mercado poderá encerrar o ano acima de 450 mil veículos eletrificados.

Para Josemar Ferro, diretor corporativo do Grupo Servopa, a expansão resulta da combinação entre demanda e maior disponibilidade de produtos, sobretudo vindos da China. “Esse crescimento dos veículos eletrificados está diretamente ligado ao comportamento do consumidor, mas também à ampliação da oferta das montadoras chinesas. Trata-se de uma decisão mais consciente, que considera fatores como sustentabilidade, autonomia, conforto e tecnologia”, afirma.

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