Novo sistema utiliza inteligência artificial para identificar infrações de trânsito nas vias, detectando ações de motoristas e passageiros
Os radares equipados com inteligência artificial já deixaram de ser promessa e começaram a operar em rodovias brasileiras, ampliando o alcance da fiscalização para além do tradicional controle de velocidade. A nova geração de equipamentos utiliza câmeras de alta definição associadas a softwares de reconhecimento de imagem capazes de interpretar comportamentos dentro do veículo em tempo real, mesmo com o carro em movimento e sob diferentes condições de luminosidade.
Na prática, isso significa que o sistema consegue identificar situações consideradas infrações, como o uso de celular ao volante, a ausência do cinto de segurança por parte do condutor ou dos passageiros e até o transporte irregular de crianças sem o dispositivo adequado. A tecnologia analisa detalhes como posição das mãos, postura corporal e outros padrões visuais captados pelas câmeras instaladas ao longo das vias.
Um dos exemplos de aplicação ocorre no Sistema Anchieta-Imigrantes, administrado pela concessionária Ecovias, em São Paulo. No trecho paulista, os equipamentos com IA já operaram durante o feriado de carnaval de 2026, quando cerca de 318 mil veículos desceram em direção ao litoral, segundo a própria concessionária. Nesse caso específico, o sistema foi utilizado para monitoramento de ocorrências e apoio à segurança viária, sem emissão direta de autuações pela concessionária.
Já em outros pontos do país, os radares inteligentes vêm sendo empregados também para fins de fiscalização. Uma reportagem da revista Autoesporte aponta que, em cinco meses de funcionamento, os equipamentos registraram mais de 20 mil autuações. Estados como São Paulo e Minas Gerais estão entre os que já contam com a tecnologia em operação, ampliando a capacidade de monitoramento em rodovias de grande fluxo.
É a inteligência artificial quem emite as multas?
Em suma, não! O funcionamento segue uma lógica em duas etapas. Primeiro, a IA faz uma triagem automatizada das imagens captadas e sinaliza possíveis irregularidades. Em seguida, todo o material é encaminhado para análise de um agente de trânsito, que confirma ou descarta a infração antes da emissão da multa. Ou seja, não há aplicação automática de penalidade apenas com base no algoritmo. A validação humana é obrigatória e garante respaldo legal, além do direito de defesa do motorista.
De acordo com concessionárias e autoridades, o objetivo principal da tecnologia é reforçar a segurança nas estradas, ampliando a fiscalização de comportamentos de risco que muitas vezes passam despercebidos pelos radares convencionais. A expectativa é que, com a expansão do sistema a partir deste ano, os chamados “pardais” focados exclusivamente em velocidade deem espaço a equipamentos mais completos, capazes de monitorar milhares de veículos por hora sem necessidade de abordagem presencial, incluindo grandes centros urbanos e não apenas rodovias.
Além do aumento no número de autuações, dados preliminares divulgados por administradoras de rodovias indicam redução de até 30% nos índices de acidentes nos trechos monitorados com apoio de inteligência artificial. A combinação entre tecnologia e conferência humana, segundo os responsáveis, busca equilibrar eficiência na fiscalização e segurança jurídica, marcando uma nova fase no controle do trânsito brasileiro.