Produção automotiva nacional perde ritmo no início do ano

Fábricas reduziram o volume em janeiro, impactadas por férias prolongadas, exportações menores e ajuste no calendário industrial

O começo do ano começou em ritmo mais lento nas linhas de montagem da indústria automotiva brasileira. Em janeiro, as montadoras instaladas no País fabricaram 159,6 mil veículos, número que representa uma retração de 12% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a produção somou 181,4 mil unidades, já considerando veículos montados nos regimes CKD e SKD, segundo dados da Anfavea.

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Apesar do recuo, a avaliação do setor é de cautela, não de alerta. Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Igor Calvet, o desempenho negativo deve ser analisado dentro de um contexto específico. Janeiro de 2025, segundo ele, foi um mês fora da curva na série histórica, com volume acima da média. Já neste início de ano, algumas fabricantes optaram por estender as férias coletivas, retomando a produção apenas a partir da terceira semana, o que impactou diretamente o resultado final.

Outro fator que ajudou a segurar o ritmo foi a redução das exportações. O mercado interno, por sua vez, apresentou comportamento praticamente estável no primeiro mês do ano, o que indica que a desaceleração não está ligada a uma retração da demanda doméstica.

No balanço divulgado, a Anfavea já incorporou as unidades CKD e SKD montadas por fabricantes chinesas que iniciaram operações no Brasil no fim do ano passado, caso de GWM e BYD. Ainda assim, Calvet ressaltou que esse volume, por enquanto, tem peso reduzido nas estatísticas gerais de produção.

O executivo também comentou o encerramento dos incentivos de alíquota zero para a importação de veículos desmontados e semidesmontados, concedidos por meio de cotas até o dia 31. Apesar da pressão das montadoras chinesas pela prorrogação do benefício, o governo federal manteve o prazo original. A decisão foi comemorada pela Anfavea, que reforça sua posição contrária à isenção do imposto como forma de proteção à indústria nacional.

Ao detalhar os segmentos, o maior impacto foi observado na produção de automóveis. O volume caiu 14,4% no comparativo anual, passando de 141 mil para 120 mil unidades. Já os comerciais leves apresentaram praticamente estabilidade, com leve retração de 0,9%, de 31 mil para 30 mil unidades.

Entre os veículos pesados, a produção de ônibus manteve-se estável, com discreta alta de 0,8%. Os caminhões, por outro lado, registraram uma queda mais expressiva, de 15,6%, reforçando o cenário de ajuste observado no início do ano.

Mesmo com os números abaixo do ano anterior, a leitura do setor é de que o resultado reflete circunstâncias pontuais e não altera, por ora, as expectativas para o desempenho da indústria ao longo dos próximos meses.

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