Nissan Sentra sairá de linha no Brasil para dar lugar a sedã elétrico

Com baixo volume comercial, Sentra será novamente descontinuado em nosso mercado enquanto Nissan avalia uma opção EV chinesa para o substituir

O Nissan Sentra está prestes a deixar novamente o mercado brasileiro. A marca japonesa decidiu interromper a importação do sedã médio após o fim do estoque atual, encerrando mais um capítulo da trajetória do modelo no país. A saída acontece em meio ao baixo desempenho comercial registrado nos últimos meses e abre espaço para uma nova estratégia da fabricante, que passa a concentrar esforços na eletrificação de sua gama.

Os números ajudam a explicar a decisão. De acordo com dados da Fenabrave, o Sentra acumulou apenas 341 unidades emplacadas entre janeiro e junho deste ano, desempenho ruim que reflete a dificuldade do modelo em competir em um segmento cada vez mais dominado por veículos eletrificados e SUVs. Curiosamente, o número do Nissan ainda supera as vendas de um representante nacional deste badalado segmento no mesmo período, o Citroën Aircross. Voltando ao sedã, mesmo com uma lista de equipamentos competitiva, visual moderno e sucessivas campanhas promocionais, ele não conseguiu ganhar tração no mercado brasileiro.

Importado do México, o Sentra chegou à atual geração apostando em um conjunto bastante tradicional. O modelo mede 4,64 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 2,71 m de entre-eixos e oferece porta-malas de 466 litros. Sob o capô, utiliza um motor 2.0 aspirado a gasolina de quatro cilindros, capaz de entregar 151 cv de potência e 20 kgfm de torque, sempre associado ao câmbio automático CVT com simulação de oito marchas.

Embora uma nova geração do Sentra já tenha sido apresentada em outros mercados, tudo indica que ela não será comercializada no Brasil. Em vez de insistir em um segmento que vem perdendo espaço para utilitários e veículos eletrificados, a Nissan prepara uma mudança mais profunda na estratégia nacional.

Sedã elétrico chinês pode ser o caminho

A principal aposta passa a ser o Nissan N7, sedã desenvolvido em parceria com a chinesa Dongfeng e recentemente confirmado para a América Latina. Apesar de a fabricante ainda não citar oficialmente o Brasil entre os mercados que receberão o modelo, a decisão de trazê-lo para a região praticamente coloca o país na rota do lançamento, reforçando os planos de eletrificação anunciados pela marca. O modelo também já foi flagrado em testes por aqui.

Maior que o Sentra, o N7 mede 4,93 metros de comprimento, 1,89 m de largura, 1,48 m de altura e tem generosos 2,91 metros de entre-eixos. O visual adota linhas limpas e modernas, enquanto a cabine aposta em uma proposta mais tecnológica e alinhada aos atuais modelos elétricos chineses.

Na mecânica, o sedã utiliza um motor elétrico instalado no eixo dianteiro, alimentado por uma bateria de 73 kWh. O conjunto desenvolve 272 cv de potência e 30,5 kgfm de torque, suficientes para acelerar de 0 a 100 km/h em aproximadamente sete segundos. A autonomia supera os 600 km no ciclo chinês de medição, embora os números finais para o Inmetro devam ser inferiores.

A substituição do Sentra pelo N7 simboliza uma mudança importante na atuação da Nissan no Brasil. A fabricante pode aproveitar sua parceria com a Dongfeng para ampliar sua oferta de veículos eletrificados. Se confirmado por aqui, o N7 passará a representar uma nova fase da montadora no segmento, alinhada à estratégia global de eletrificação e ao reposicionamento de seu portfólio na América Latina.

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