Lembrada por muitos como a primeira chinesa a apostar em peso no Brasil, JAC Motor abandona mercado de carros de passeio em nosso mercado
A JAC Motors colocou um fim na sua operação de carros de passseio no mercado brasileiro. A marca deixou de comercializar os elétricos E-JS4 e E-J7 e também diminuiu sua rede de lojas no país. O E-JS1 ainda aparece em algumas concessionárias como linha 2027, mas sua permanência no mercado também é incerta.
A mudança ocorre após anos de vendas fracas. A JAC chegou ao Brasil entre 2010 e 2011 com a proposta de disputar o mercado de volume com modelos como J3, J3 Turin e J6. A estratégia chamou atenção pelo preço competitivo, grande campanha de divulgação e rápida expansão da rede, que chegou a ter dezenas de concessionárias.
A fabricante chegou a anunciar duas fábricas no Brasil, mas nenhum dos projetos saiu do papel. O primeiro previa uma unidade em Camaçari (BA), com capacidade para 110 mil veículos por ano. Em 2017, a empresa anunciou outro projeto em Goiás, para produzir 35 mil unidades anuais, que também não avançou.
Com a evolução do mercado, a JAC passou a concentrar sua gama em veículos elétricos, mas não conseguiu ganhar volume. O E-JS4 chegou a ser vendido por R$ 254,9 mil e o E-J7 por R$ 259,9 mil, preços que dificultaram a disputa em um segmento que passou a receber novos concorrentes.
A retração chegou também às concessionárias. Das cinco unidades anteriormente listadas pela marca, a loja de Brasília fechou. Em São Paulo, uma das duas operações será unificada à outra. Permanecem três pontos listados oficialmente: a matriz, no bairro do Limão, em São Paulo, além de Curitiba e Porto Alegre. A JAC afirma, porém, manter 142 oficinas credenciadas no país e aposta também em vendas online e à distância.
JAC muda o foco para picapes e comerciais
A saída dos carros de passeio não significa o fim da JAC no Brasil. A marca passa a concentrar sua operação principalmente em picapes e veículos comerciais, tendo a Hunter como principal produto no varejo. A picape média parte de R$ 219,9 mil na configuração 2025/2026. A estratégia também inclui caminhões elétricos, segmento no qual a empresa pretende ampliar sua estrutura de atendimento.
O movimento acontece em um momento de forte expansão de outras fabricantes chinesas. BYD, GWM e Geely avançam no Brasil com novos modelos eletrificados, ampliando ainda a produção local. Assim, a JAC, que esteve entre as primeiras chinesas a apostar no mercado brasileiro de carros de volume, acaba seguindo uma trajetória oposta à nova geração de marcas do país asiático.