Honda registra 1º prejuízo em 70 anos após abandonar projetos elétricos

Com prejuízo de R$ 2,7 bilhões, Honda tem o seu primeiro resultado anual negativo desde que abriu capital na Bolsa de Tóquio em 1957

A Honda vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. A fabricante japonesa confirmou um prejuízo líquido de aproximadamente US$ 2,7 bilhões no ano fiscal encerrado em março, marcando o primeiro resultado anual negativo em décadas. O rombo bilionário acontece após uma ampla reestruturação global que envolveu cancelamentos de projetos, revisão de metas e mudanças profundas na estratégia da marca para os próximos anos.

Grande parte do impacto financeiro veio das movimentações feitas pela montadora em sua operação de veículos eletrificados. Nos Estados Unidos, a empresa encerrou o desenvolvimento de três modelos elétricos que estavam previstos para os próximos anos e também colocou fim à parceria com a Sony voltada ao desenvolvimento de automóveis elétricos. Além disso, a Honda decidiu suspender por tempo indeterminado um gigantesco projeto de aproximadamente US$ 11 bilhões no Canadá, que previa a produção de veículos elétricos e baterias no país.

Ao mesmo tempo, a situação da fabricante na China também contribuiu diretamente para o resultado negativo. Nos últimos cinco anos, as vendas da empresa no maior mercado automotivo do planeta caíram mais da metade, pressionando ainda mais as finanças do grupo em um período de transformação global da indústria. O cenário levou a companhia a rever prioridades e reorganizar investimentos em diferentes regiões do mundo.

Negócio de motocicletas aliviou crise na Honda

A Honda conseguiu evitar um cenário ainda mais severo graças ao seu negócio de motocicletas, que segue extremamente lucrativo. Atualmente, a fabricante vende quase uma em cada três motos comercializadas no planeta, mantendo forte presença especialmente em mercados como Brasil e Índia. O segmento registrou recordes de volume e lucro, ajudando a sustentar parte das operações do grupo durante o período turbulento.

Dentro da nova estratégia anunciada pela companhia, o presidente Toshihiro Mibe confirmou uma mudança significativa nos planos traçados pela empresa nos últimos anos. A meta divulgada anteriormente de eletrificar toda a linha global até 2040 foi abandonada, assim como uma participação elevada de carros elétricos nas vendas até o fim desta década. Em vez disso, a fabricante japonesa agora direciona seus esforços para uma nova ofensiva de modelos híbridos, com previsão de lançar 15 novidades desse tipo até 2030, principalmente voltadas ao mercado norte-americano.

Mesmo diante do prejuízo histórico, o mercado reagiu de maneira positiva ao anúncio dos novos planos da montadora. As ações da Honda avançaram 3,77% após a empresa projetar recuperação financeira e estimar lucro operacional de cerca de US$ 3,2 bilhões até março de 2027. A fabricante também prometeu ampliar o retorno aos acionistas e manter dividendos, medidas que ajudaram a melhorar a percepção dos investidores sobre os próximos passos da companhia.

Segundo a agência britânica Reuters, analistas do setor apontam que a velocidade de execução das estratégias da Honda nos últimos anos acabou ficando abaixo do esperado diante das rápidas transformações da indústria automotiva global.

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