Fabricante chinesa avalia usar estratégia semelhante à aplicada por aqui para acelerar o crescimento no mercado europeu
A Geely pode estar preste a dar um novo passo para ampliar sua presença fora da China. Informações indicam que a montadora chinesa negocia o uso de fábricas da Ford na Europa para produzir veículos localmente, em um movimento que remete ao modelo adotado no Brasil em parceria com a Renault. A proposta permitiria à Geely acelerar sua expansão no continente europeu com investimento menor e ganho de escala mais rápido.
As tratativas, ainda sem confirmação oficial, envolveriam a utilização da estrutura industrial já instalada da Ford para abastecer mercados europeus. Para a Geely, produzir no continente reduziria custos logísticos e ajudaria a contornar a sobretaxa aplicada pela União Europeia a veículos elétricos importados da China, que soma 18,8% adicionais aos 10% tradicionais. Para a Ford, a cooperação abriria espaço para sinergias industriais e acesso a tecnologias desenvolvidas pelo grupo chinês, como sistemas avançados de assistência à condução já usados por marcas do conglomerado, como a Volvo ou a Zeekr.
De acordo com informações da agência Reuters, as conversas entre as empresas estariam em andamento há meses, com reuniões frequentes entre representantes de ambos os lados. O encontro mais recente teria ocorrido na semana passada, nos Estados Unidos, com participação de executivos de alto escalão, o que indica avanço nas discussões.
O possível acordo se encaixa no plano estratégico da Geely de ganhar relevância global e se posicionar entre as maiores fabricantes do mundo até o fim da década. A estratégia de cooperação industrial não é inédita para o grupo, que mantém parcerias com diferentes montadoras ao redor do mundo.
No Brasil, a Geely já segue um caminho semelhante. A empresa adquiriu 26,4% da Renault do Brasil, dando origem à Renault Geely do Brasil, com acesso ao Complexo Ayrton Senna, no Paraná. A parceria prevê compartilhamento de plataformas, produção local de veículos de zero e baixas emissões e um investimento de R$ 3,8 bilhões na operação nacional. O modelo inclui produção conjunta, sem regime de simples montagem, e o desenvolvimento de novos produtos para o mercado local.
Se confirmada, a negociação com a Ford pode repetir na Europa a fórmula aplicada no Brasil: uso de capacidade industrial existente, redução de barreiras comerciais e avanço mais rápido em mercados estratégicos por meio de parcerias industriais já estabelecidas.
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