Antes da chegada do Fiat Palio, o Uno vendia como pão quente na padaria no início dos anos 90. Mas o carro lançado em 1984 já começava a cansar o público consumidor. Era hora de mudar e, logo no início daquela década, a Fiat deu aos estúdios Idea a incumbência de projetar o carro que substituiria o Uno no mercado brasileiro e mundial.
O estúdio italiano tomou como base para o projeto o Fiat Punto, então um grande sucesso europeu. Só que Fiat Palio saiu ainda melhor que o modelo que o inspirou, com linhas mais modernas, harmônicas e orgânicas, arredondadas de maneira sensual e atraente.
Fiat Palio tinha desenho moderno
A traseira chamava atenção até de designers de outras marcas. Era absolutamente arredondada e as lanternas seguiam essa proposta de forma integrada ao contorno. Em uma época em que os compactos do nosso mercado tinham linhas duras e cheias de vincos, o novo Fiat destoava com formas mais suaves.
Motorização…e o nome
Na mecânica, sem grandes novidades. A marca utilizava os motores Fiasa 1.0 e 1.5, além do argentino 1.6, primeiro com 8 válvulas e depois com 16 válvulas, superando os 100 cv. O novo carro, batizado de Fiat Palio, uma espécie de flâmula que identificava o brasão de um exército nas batalhas de antigamente, foi guardado a sete chaves até seu lançamento, em abril de 1996.
Na época, eu trabalhava na revista Motor Show e tínhamos um acordo editorial com a revista italiana Quattroruote, pelo qual trocávamos conteúdos. Desde 1994, a publicação já nos informava que tinha fotos do projeto 178, na realidade o futuro Palio. Acompanhávamos o desenvolvimento desde que os protótipos começaram a rodar em testes pela Itália. Publicávamos imagens do então segredo desenvolvido no país e que seria fabricado no Brasil. Sabíamos de antemão que o projeto substituiria o Uno, o que aumentava o interesse em acompanhar sua evolução.
Fiat Prova?
O curioso é que os italianos da Fiat, além da placa “Prova”, que em italiano quer dizer teste, desenvolveram logotipos do novo carro com o nome “Prova”, seguindo o padrão visual de outros modelos da marca. Isso nos levou a acreditar que aquele seria o nome definitivo. Era, na verdade, uma estratégia para confundir jornalistas que fotografavam os protótipos em testes de rodagem e resistência antes da estreia no Brasil. Chegamos a adotar o nome em nossos textos, mas, no final das contas, descobrimos que haviamos sido enganados. Pelo menos, só no nome: nas fotos e outras informações, a precisão falava alto.
Sucesso desde a estreia
O fato é que, em 15 de abril de 1996, a Fiat encerrou as especulações e apresentou ao público o modelo que substituiria o Uno. O Fiat Palio não decepcionou. Agradou o consumidor brasileiro e rapidamente se transformou em um campeão de vendas, mesmo diante do sucesso de concorrentes como o Gol “bolinha” e o Corsa. Entre 1996 e 2018, quando saiu de linha, a fábrica da Fiat em Betim produziu cerca de 3,2 milhões de unidades do hatch, sem considerar as versões perua (Weekend), picape (o fenômeno Strada) e sedan (Siena).
Além do Brasil, o Fiat Palio foi um carro global, produzido também na Argentina, Turquia, China, África do Sul, Índia e Rússia, entre outros países. No total, mais de 5 milhões de unidades foram fabricadas no mundo. Nasceu para dar certo e, neste ano, completa 30 anos de história.
Veja Mais
- Caoa Changan Uni-T fica até R$ 7 mil mais caro menos de um mês após lançamento
- VW Tera atinge 100 mil unidades produzidas em menos de um ano
- Hyundai revela sucessor EV do Veloster que antecipa SUV nacional