De proporções generosas, lançamento da Dacia para o mercado europeu evidencia nova fase da montadora com belo design e bons equipamentos
A Dacia vive uma fase de transformação clara na Europa. A marca romena, que durante anos ficou conhecida por veículos essencialmente racionais, robustos e acessíveis, agora sobe o tom para entregar produtos com maior apelo visual, mais tecnologia e uma presença de mercado mais refinada. E essa ação não acontece por acaso, pois é fruto de uma estratégia alinhada com o grupo Renault, do qual a marca faz parte.
Para o público brasileiro, vale lembrar que muitos dos carros de maior sucesso da Renault por aqui nasceram justamente sob o guarda-chuva da Dacia. Modelos como Sandero, Logan, Duster e até o Kwid têm origem romena, adaptados e produzidos localmente com o emblema francês. Mais recentemente, projetos como Kardian e Boreal continuam se apoiando nessa sinergia, ainda que com maior identidade própria e design mais sofisticado.
É nesse contexto que surge o Striker. Derivado da mais recente geração europeia do Duster, que, aliás, está de malas prontas para o Brasil, a novidade amplia a proposta da marca em seu mercado natal. Ele não é exatamente um SUV, tampouco uma perua tradicional. Na prática, combina elementos dos dois mundos.
Com cerca de 4,62 metros de comprimento, o modelo supera até mesmo o Renault Boreal em tamanho e aposta em uma silhueta alongada, com teto levemente inclinado, que melhora a aerodinâmica sem abrir mão da identidade robusta típica da marca. O resultado é um visual mais fluido e moderno, claramente diferente do que costumávamos ver nos modelos Dacia da década passada.
A proposta também se reflete no posicionamento: o Striker ocupa um espaço acima da Jogger, perua da atual geração do Sandero, e atua como alternativa mais versátil ao Bigster, variante maior do Duster, mirando diretamente peruas médias consagradas no mercado europeu.
Para sustentar essa nova fase, a Dacia equipou o Striker com uma gama ampla de motorização, com diferentes níveis de eletrificação. O destaque fica para a versão com tração 4×4 HEV, que combina um motor 1.2 turbo de três cilindros no eixo dianteiro a um propulsor elétrico traseiro. Juntos, entregam cerca de 152 cv de potência. Há ainda a opção híbrida leve com potência de 138 cv, além de uma variante movida a GPL (gás liquefeito de petróleo), bastante popular em alguns mercados europeus por seu custo reduzido.
Essa diversidade reforça um dos pilares da nova Dacia de oferecer soluções eficientes sem abrir mão da proposta de custo-benefício, ainda um dos seus maiores diferenciais. A ideia é entregar mais espaço, design mais elaborado e tecnologia atual sem atingir os patamares mais elevados de preço do segmento. É exatamente essa equação que fez a reputação da Dacia crescer nos últimos anos e que agora ganha um novo capítulo.
O interior do Striker não foi oficialmente revelado, algo que só acontecerá em junho com o lançamento do modelo. Apesar de ser um produto interessante, não há previsão de que ele chegue ao Brasil com o emblema da Renault, como aconteceu com diversos modelos no passado. Ao menos por enquanto, o crossover permanece como uma aposta exclusiva para o mercado europeu. Ainda assim, ele pode ajudar a antecipar caminhos, já que os projetos da Dacia continuam influenciando os passos da Renault no por aqui.