De volta às origens: Dodge Charger de nova geração ganha opção V6

Após fracasso com a variante EV de seu muscle car emblemático, Dodge recalcula a rota para recuperar terreno com o Charger a combustão

A nova geração do Dodge Charger nasceu sob o signo da eletrificação. Apresentado inicialmente como um muscle car do futuro, o Charger Daytona 100% elétrico simbolizava a guinada tecnológica da marca dentro do reposicionamento global da Stellantis. Mas a resposta do mercado ficou aquém do esperado, e os números ajudam a explicar a mudança de rumo.

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Em 2025, a Dodge comercializou apenas 7.421 unidades do Charger Daytona EV. O contraste é evidente quando comparado ao antigo Charger a combustão, que somou 75.920 exemplares em 2023, além de outras 44.960 unidades do já aposentado Challenger no mesmo ano. Diante desse cenário, insistir exclusivamente no elétrico deixou de ser uma estratégia sustentável.

O pano de fundo dessa virada passa também pelo desempenho financeiro do grupo. A Stellantis encerrou 2025 com prejuízo líquido de € 22,3 bilhões, impactado por baixas bilionárias após rever investimentos em veículos elétricos. O próprio CEO, Antonio Filosa, admitiu que a companhia superestimou o ritmo da transição energética. Projetos foram cancelados ou redimensionados, e a diretriz passou a priorizar equilíbrio entre elétricos, híbridos e motores a combustão. É nesse contexto que o Charger retorna aos motores puramente a gasolina.

Charger EV segue em linha como coadjuvante

A Dodge reorganizou a família do modelo em duas variantes claras: Charger Daytona para as versões elétricas e Charger Sixpack para as configurações a combustão. O Sixpack marca a estreia do novo seis-cilindros em linha Hurricane 3.0 biturbo, que passa a ser o coração da gama purista.

Na configuração Standard Output, o Charger Sixpack R/T entrega cerca de 426 cv e torque aproximado de 64,8 kgfm. Sempre associado à tração integral e ao câmbio automático de oito marchas, o conjunto busca equilibrar desempenho forte com usabilidade no dia a dia. Já a versão High Output eleva a régua: são 558 cv, posicionando o Sixpack Scat Pack como a alternativa mais extrema entre os modelos a combustão.

A produção das novas variantes foi ampliada rapidamente. Além do cupê de duas portas, a linha passa a incluir versões de quatro portas nas configurações R/T e Scat Pack, ampliando o alcance comercial do modelo. Segundo a própria marca, essas três novas variações devem responder por cerca de 90% do volume esperado da família Charger, deixando claro que o V6 não é apenas complemento, e sim peça central na estratégia de recuperação.

Do lado elétrico, a gama também encolheu. O Charger Daytona começou com versões R/T e Scat Pack, mas a R/T foi descontinuada, permanecendo apenas o Scat Pack com 679 cv e autonomia estimada em cerca de 390 km. Mesmo com números de potência expressivos, o desempenho comercial não foi dos melhores.

Com preço inicial de US$ 49.995 para o Sixpack R/T, cerca de R$ 258 mil em conversão direta, o novo Charger a combustão se posiciona como porta de entrada do muscle car renascido. A ideia com a novidade é se reconectar com o público tradicional sem ignorar a modernização mecânica, sendo um termômetro da nova estratégia da Stellantis. Depois de um prejuízo bilionário e da constatação de que o mercado não evolui no mesmo ritmo das projeções corporativas, o retorno ao motor a gasolina deixa de ser nostalgia e passa a ser movimento calculado.

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