Elétrico YU7 GT da chinesa Xiaomi foi o primeiro carro a completar de forma oficial os 20,8 km de Nürburgring sem qualquer intervenção humana
A condução autônoma acaba de atingir um novo marco na indústria automotiva. A Xiaomi EV entrou para a história ao se tornar a primeira fabricante a completar oficialmente uma volta inteira no lendário circuito alemão de Nürburgring Nordschleife sem qualquer intervenção humana, utilizando um YU7 GT equipado com o pacote opcional Track Package.
O SUV elétrico percorreu os 20,8 km do traçado em 10 minutos, 29 segundos e 483 milésimos, resultado homologado de acordo com os procedimentos oficiais de cronometragem do circuito. A conquista foi tão significativa que levou Nürburgring a criar uma nova categoria oficial para a façanha: Condução Autônoma, dentro da classe de veículos elétricos.
Mais do que o tempo registrado, o que torna o feito relevante é o grau de complexidade envolvido. Conhecido mundialmente como um dos circuitos mais exigentes já construídos, o chamado inferno verde reúne 73 curvas, aproximadamente 300 metros de variação de altitude, trechos de alta velocidade, mudanças constantes de aderência e margens mínimas para erros. Há décadas, a pista é utilizada por fabricantes de todo o mundo como referência para desenvolvimento, validação e aperfeiçoamento de veículos de alto desempenho.
Foi justamente nesse ambiente extremo que o YU7 GT realizou toda a volta sem a presença de um motorista executando comandos. O sistema foi responsável por controlar aceleração, frenagem, esterçamento e distribuição de potência ao longo de todo o percurso, enfrentando as diferentes condições apresentadas pelo traçado.
O modelo, que resgata uma tradição antiga e controversa dos carros chineses ao parecer uma versão genérica e elétrica da Ferrari Purosangue, estava equipado com o Track Package, conjunto desenvolvido para utilização em pista e que amplia as capacidades dinâmicas do SUV. O YU7 GT já se destaca pelo desempenho elevado, contando com quase 1.000 cv de potência e aceleração de 0 a 100 km/h em menos de três segundos. Em condições convencionais, com um piloto ao volante, o SUV já havia registrado 7:34.931 em Nürburgring, tornando-se o utilitário esportivo mais rápido a percorrer o circuito.
No caso da volta autônoma, porém, a velocidade ficou em segundo plano. O objetivo principal era demonstrar a capacidade do sistema de interpretar um ambiente extremamente complexo e tomar decisões de forma independente durante todo o trajeto.
A Xiaomi afirma que a base tecnológica para essa conquista começou a ser construída com a evolução do Xiaomi HAD, plataforma de condução autônoma apresentada em 2024. Mais recentemente, a fabricante introduziu uma nova arquitetura veicular associada ao sistema Xiaomi XLA e à tecnologia base MiMo-Embodied, capaz de ampliar a compreensão do ambiente ao redor do veículo e aprimorar sua capacidade de raciocínio diante de situações complexas.
O resultado alcançado em Nürburgring vai além de um simples recorde. Em um momento em que a disputa tecnológica entre fabricantes se intensifica, a China passa a ocupar uma posição cada vez mais relevante no desenvolvimento de soluções de eletrificação e condução autônoma. O feito da Xiaomi demonstra que as marcas chinesas não estão apenas acompanhando a evolução da indústria global, mas também assumindo papel de protagonismo no setor automobilístico.
BYD também colocou a China no topo da velocidade mundial
A conquista da Xiaomi não é um caso isolado. Em setembro do ano passado, outra fabricante chinesa chamou atenção ao redefinir um dos recordes mais tradicionais da indústria automotiva. A BYD, por meio de sua divisão de superesportivos Yangwang, levou o U9 Xtreme a impressionantes 496,22 km/h no centro de testes de Papenburg, na Alemanha.
A marca superou o Bugatti Chiron Super Sport, que havia registrado 490,4 km/h em 2019, tornando o Yangwang U9 Xtreme o carro de produção mais rápido do planeta. O superesportivo utiliza uma arquitetura elétrica de 1.200V, bateria Blade de alta descarga, quatro motores capazes de atingir 30.000 rpm e potência superior a 3.000 cv.
Se o recorde da Xiaomi evidencia a evolução da condução autônoma, o feito da BYD mostra o avanço da engenharia elétrica de alto desempenho. Juntos, os dois casos ajudam a ilustrar uma transformação importante no setor automotivo global: fabricantes chineses deixaram de competir apenas por volume de vendas e passaram a disputar liderança tecnológica em segmentos considerados referência para a indústria mundial.
A combinação entre eletrificação, inteligência artificial, desenvolvimento de software e investimentos em pesquisa tem permitido que empresas chinesas avancem rapidamente em áreas que definirão a próxima geração de automóveis. A mensagem é clara, a China quer liderar a próxima era da mobilidade.