Chery revela nova picape híbrida para peitar BYD Shark

Com estilo ousado e sistema PHEV a diesel, nova Chery KP31 surge na Austrália e promete aquecer o mercado de picapes chinesas mundo afora

A ofensiva chinesa no segmento de picapes acaba de ganhar um novo e importante capítulo. A Chery apresentou na Austrália a inédita KP31, uma caminhonete híbrida plug-in que foge do padrão ao combinar eletrificação com motor turbodiesel, em uma estratégia pensada justamente para atacar um dos pontos mais sensíveis do público tradicional do segmento.

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Revelada em Sydney como um conceito praticamente pronto para produção, a KP31 nasce com ambições globais e mira diretamente a BYD Shark, hoje uma das principais representantes das picapes eletrificadas chinesas. A diferença está no coração mecânico: enquanto a rival aposta em um conjunto a gasolina, a Chery decidiu unir um 2.5 turbodiesel a um sistema híbrido plug-in recarregável.

O resultado, segundo a fabricante, é um conjunto com eficiência térmica de 47%, índice elevado para motores a diesel, além de ganhos de aproximadamente 10% em eficiência frente a propulsores equivalentes e redução de 30% nos níveis de vibração. Embora os números de potência ainda não tenham sido divulgados, a promessa é de torque elevado, autonomia ampliada e comportamento mais consistente quando a carga da bateria se esgota, justamente uma das críticas feitas às PHEVs a gasolina.

O sistema elétrico atua no eixo traseiro, onde ficam posicionados motor elétrico e baterias, garantindo tração integral. A configuração inclui bloqueios de diferencial dianteiro, central e traseiro, além de modos de condução específicos para diferentes tipos de terreno, reforçando a proposta fora de estrada. Em termos de capacidade, a KP31 já chega com números alinhados às líderes do segmento: são 1.000 kg de carga útil e 3.500 kg de capacidade de reboque, patamar que a coloca no mesmo nível de modelos médios a diesel tradicionais e acima de boa parte das híbridas plug-in.

Porte grande e visual inspirado em SUVs

Se a mecânica chama atenção, o visual não fica atrás. A nova picape adota linhas ousadas e musculosas que apostam em robustez, claramente inspiradas nos SUVs mais recentes do grupo, especialmente no Jetour T2. A dianteira tem faróis redondos em LED, três elementos luminosos integrados à grade e o nome “Chery” em destaque.

O para-choque elevado e as proteções reforçam o apelo off-road, enquanto as caixas de roda pronunciadas e os pneus lameiros da BF evidenciam a vocação para o fora de estrada. Na traseira, o nome da marca ocupa praticamente toda a tampa da caçamba.

As dimensões revelam uma picape de porte avantajado: são 5.610 mm de comprimento, 1.920 mm de largura e 1.925 mm de altura, tamanho mais próximo de modelos grandes como Ram 1500 e Chevrolet Silverado do que das médias tradicionais. Ainda assim, a Chery já confirmou que a versão definitiva terá cerca de 5.450 mm de comprimento, medida mais alinhada ao padrão global das picapes médias.

A estrutura será mantida: chassi de longarinas e suspensão traseira com feixe de molas na configuração diesel. Para 2027, está prevista uma variante híbrida plug-in a gasolina, que adotará suspensão traseira com molas helicoidais, proposta mais voltada ao conforto e que deve disputar espaço diretamente com futuras versões eletrificadas da Ford Ranger, além da própria Shark.

E o Brasil?

O mercado brasileiro é relevante para picapes médias, sendo dominado historicamente por Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Ford Ranger. Ainda há certa resistência do público às marcas chinesas nesse segmento, muito ligada ao perfil conservador do consumidor e à forte tradição das líderes.

Nesse contexto, a escolha pelo diesel pode ser determinante. A motorização é vista como essencial para trabalho pesado, reboque e uso rural. Esse parece ser exatamente o público que a Chery quer conquistar. Além disso, a KP31 integra uma estratégia mais ampla da marca para mercados da América Latina, Oriente Médio, África e parte da Europa, o que aumenta as chances de lançamento por aqui.

Vale lembrar que a própria Chery já havia sinalizado interesse no segmento ao exibir no Salão do Automóvel de São Paulo de 2025 a picape Himla, apresentada pela operação local como modelo em estudo para o Brasil. Na ocasião, a marca deixou claro que avaliaria a receptividade do público antes de confirmar a produção ou importação.

A KP31 surge agora como peça mais sofisticada dessa ofensiva, posicionando-se acima da Himla e com proposta tecnológica mais avançada. O lançamento comercial está previsto para o quarto trimestre de 2026, começando pela Austrália, com expansão para outros mercados na sequência. Se chegar ao Brasil, a nova picape híbrida a diesel da Chery poderá não apenas rivalizar com a Shark, mas também provocar uma mudança relevante na dinâmica do segmento.

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